terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sabes que sei


Estava bem
Peguei o trem
Mais um dia
Trabalho e agonia

Mais um segundo
No seu mundo
Impaciente
Contundente
Te vi

Beira do cais
Penso: Não mais
Te quero
Espero
Não doer
Tento crer

Somos um
Para os outros comum
Ziguezagueando por nós
Rezo por um momento a sós
Que loucura - pensei
Só então reparei
Acabou

Estava tão bem
Agora estou sem
Só me resta voar
Tentando resgatar
o meu conformismo

Ontem passeei
Não encontrei
Aquela que me apaixonei
Observando de outra forma
Quem sabe há uma norma

Sabes que sei
Não sou um rei
Mas nessa escola
Que você enrola
Eu me ponho a ensinar
Como por pouco
Me deixei levar


Rir(emos)


Rio por rir
Riem de mim
Bobo assim
Eu ria de você
Risada enfim
Rindo e caindo
Ritmando o sorrir
Tão meigo sorrirás
Rio do seu riso
Eu deitando no chão liso
Sorrindo por te ver
Sorriso bobo por me ter

Três Segundos

Era um dia, como outro qualquer
Qual não é? Afinal.
Andando sem rumo
Calçadas se transformam em consolo
O vazio não se importa mais,
Permanece realista diante dos fatos, 
Diferentemente de mim

Enquanto buscava só um sentido
Saltavam oportunidades para mim
Encaravam minha face,
Repetindo dizeres maldosos
Confrontando minhas decepções
Enaltecendo a minha coragem para um fim

A meta, enquanto isso, permanecia irreal
Aquele coelho que te mostrei
Fora tirado da minha cartola
Enquanto todos riam de mim
Desespero tomou conta da minha alma
Um buscar incansável do estar
Envolvido e ciente
Crente

Missões fracassadas de um carente
Enxergando um mundo sem cores,
Pelo mesmo motivo que chorou naquele dia
A solidão se tornara sua mãe

Quando alguém o sentia passar
Tinha medo, 
Pois era essa a intenção
Ocultar a verdade com imagens borradas
Sem perceber se afundava cada vez mais

Nunca acreditou no amor
No fundo sabia que nunca seria o suficiente
Tinha medo de se tornar um monstro
Por isso guardava uma arma na gaveta
Se a bomba estourasse,
Ele se mataria,
Evitando assim a dor do mundo,
Em perder o seu menino feio

Foi ali, naquele dia,
Naquela tarde harmoniosa
Que o seu céu desabaria ainda mais
Desajeitado por caminhar só
Sem opções, procurando uma forma de fingir,
Estar bem consigo mesmo,
Quando nenhum sentir o comovia
Os fones de ouvido protegendo-o,
O preto o escondendo,
O cabelo minuciosamente alinhado,
Sendo confiante ao extremo,
Quase um ser humano intocável,
Refletindo um ser inexistente,
Ele então encontra o seu amor

Troca de olhares, 
Sem saber ao certo sua postura
A confiança se fora, 
Tão profunda quanto seu rosto rosado,
Delicada como seu olhar doce,
Só poderia estar morto
Tamanha beleza só podia ser uma brincadeira do universo
O arrogante ateu resgatou o seu inverso
Ensimesmado com suas dores diminutas
Ele mesmo não parecia o bastante
O tempo que teimava ser detestável,
Parou e deu mais tempo para a contemplação de um milagre
Seus pensamentos primitivos,
Deram lugar ao cavalheirismo

Um duelo infinito entre o sentimento e a atitude,
Fez dele o ser humano mais triste do mundo,
Se achava incapaz,
Não se sentia merecedor,
Suas mãos suavam de agonia,
As reflexões pessimistas foram para bem longe
Olhou atentamente para os lados, 
Ninguém percebia nada
Tornou-se a olhar aquele anjo
Ela tinha partido

Seu coração começou a tremer,
Sua face a cada segundo se tornava mais deformada,
Na sua boca só havia gritos de socorro
Aos poucos foi se tornando ninguém,
Virando pó

Cada pedaço do seu odioso ser,
Deixava o mundo, sem pressa
Degustando a angústia de uma vida perdida
Por algum motivo sentia a dor de perder um tempo infinito
Cujo momentos transcenderam o agora
Podia enxergar algo imensurável
Pela primeira vez se sentiu despido

Estava partindo, para um lugar nenhum
Chegou a vez do seu olhar,
Tudo estava se desfazendo,
Lembrou dos finais de semana na praia,
Sentando vendo o por do sol
Imaginando o dia que seria feliz com alguém
Esse alguém existiu, ele sente
Mas ele só foi capaz de sentir por três segundo

Por último o seu coração
Pulsando no chão
Pôde ainda pensar na moça
Por mais que tentasse,
Não conseguia se lembrar dos seus detalhes
Os ventos traziam as sensações
Movido por uma certeza intocável,
Tudo o que haviam vivido,
Valeu a pena


Travesseiro


Meu travesseiro é cor de rosa,
Macio, extremamente convidativo
Ele me traz sonhos com uma mulher tenebrosa
As vezes me faz pensar que estou enlouquecendo, mas isso é relativo

Algumas vezes surge várias fadas
Capazes de me amedrontar
Fico tímida, elas passam a me violentar
Como quem é prisioneiro,
De uma sede insaciável
Mas sei que algo me protege, um cavalheiro
Só não tenho certeza se ele é confiável
Diante ao meu medo,
Meu travesseiro me guia
O seu tempo é diferente
Ele tem o dom de se controlar
Suas palavras soam elegante
Quanto a mim, sou ignorante

A maturidade que a minha idade impede,
Me daria o que mais desejo
Meu sábio travesseiro, 
Transbordando confiança,
Sem medo de me acordar durante a noite
Me dizendo aquilo que preciso,
Conhecendo-me,
Nesse momento que me sinto só
Tenho espinhas

Olho no espelho
É sua sombra que vejo
Uma imagem embaçada
Ainda assim faço de você a minha respiração

Quando eu vejo você,
Por acaso sinto que somos proibidos,
Eu tremo de ódio
Essa sociedade corrompida está acostumada
Corações malvados,
Fazendo esquecer que o amor está no impossível

Siga-me


Venha adorável delicadeza
Encosta seus lábios nos meus
Eu deixo você me influenciar,
Com seu jeito meigo

Dessa vez serei sincero
Minha personalidade consumirá a sua bondade
As rosas vermelhas serão espalhadas pelo seu corpo
Meu olhar malicioso te desconstruirá
Eu deixo, por um instante, você achar  que nunca deixará de ser santa

Sabe aquela bíblia?
Queimei
Não precisa fingir que escolheu errado
Um monstro não precisa se esconder
Eu sou a revolução,
E terei você como parceira do pecado

Entre prazer e insanidade
A donzela se transformará em demônio
Pelo mesmo motivo tentará dar ordens
Mas, pobrezinha, entenderá que sou o rei da maldade

Venha, conheço um lugar
Escondido, 
Onde podemos brincar de boneca
Eu serei a mulher virgem
E você o produto

Trocará as sapatilhas, 
por fones de ouvido
Mozart por Ac/Dc
Doce por pimenta
Fé por atitude
Livros por aventuras

Eu sou o mestre
Você o chaveiro

Entre brigas e sexo,
provaremos que pensar no amor é medíocre
Entre o preto e vermelho,
Conquistaremos o poder
Passagem só de ida para o inferno
Eu sentarei no trono,
Dando risada da sua cara

Pois eu sou
Você simplesmente me copia
O pecado não puxa o pé daqueles que estão inseridos,
Ele sacaneia os sem opinião,
Bonequinhos de porcelana

Seu lar vai tremer
Quando eu chagar
Melhor você mentir
E nunca começar
Essa paixão melhor esquecer
Você vai sofrer,
Ao menos que queira ser usada,
Não tencione viver comigo,
Historinhas de criancinhas,
Pois eu, meu bem, sou o lobo mal,
E se você não prestar atenção, 
Eu te devoro

Cavalo


Essa é a história de um homem destinado a não existir:

Mudei-me para a cidade
A escola mais famosa da cidade
Os filhos bastardos se encontravam todos lá,
E eu.
Esse momento, aos dez anos,
Se revelou como uma perfeita história de terror,
Como aquelas que me avô me contava,
Só que a protagonista, definitivamente, era eu

E foi assim que conheci ele
Menino tímido
Extremamente inteligente,
Um pouco perturbado e cheio de manias
Pouco falava e, quando o fazia, parecia que estava resmungando
Nunca olhava nos olhos e, quando tentava, desviava de uma forma abrupta
Seus olhos azuis,
Traziam uma beleza,
Aparentemente escondendo uma solidão,
Um grito.

Conhecemo-nos quando crianças
E vivemos na mesma sala por muito tempo
A sensação que eu tinha, algo próximo ao carinho
Nunca direcionei uma única palavra
Mas ele estava sob os meus olhares
Meus cuidados

Quando algum babaca sacaneava ele
Eu chorava escondida

Bem, o tempo passou
Muita coisa rolou
Mas ele continuava sempre o mesmo
Consegui, finalmente, me aproximar
Talvez tenha sido corajosa o suficiente
Para descobrir um novo universo e, assim, me apaixonar

Ninguém lembra o seu nome
Quando eu pergunto sobre ele, todo mundo ignora
Ninguém fala do pobre sujeito
Mesmo assim, eu tenho certeza que me casei com ele
Só não sei quanto tempo

Os minutos se foram
O tempo ficava cada vez mais confuso
Me meti em um caminho sem saída
Não entendia os motivos
Se era pena,
Ou identificação.

Não havia muitos diálogos
Muito menos carinho
Não ficava nervosa por isso
Tinha consciência de que era a sua limitação
Algumas pessoas se perder dentro da sua própria existência
Um homem infinito
Vazio, parecia sem alma
Mas, ainda assim, parecia um nobre cavalheiro
Transmitia um ar de misteriosidade
Não era bonito
Mas muito elegante
Seu olhar parecia procurar constantemente por algo
Como se sua realidade não fosse o suficiente
Como a distância fosse o ideal
Como se a ilusão fosse uma necessidade

Repito, eu sinto
Que tudo aconteceu
Mas os meus acontecimentos foram construídos com incertezas
Dúvidas sobre um ontem
Que passeia por entre a imaginação
Como uma sacola plástica aos ventos

Algo muito estranho aconteceu
Não sai da minha cabeça
Como um espiral
Procurando o seu final
Ele, finalmente, falou o que estava acontecendo.
Enquanto narrava os fatos, meu corpo tremia
Uma sensação que beirava a morbidez 

- Acordei no meio da noite - disse ele, quase que sussurrando. Senti uma dor nas costas, como se algo estivesse me puxando para baixo. Por um breve momento me senti sendo levado para baixo da terra. Alguma coisa me fez caminhar, uma força. Meu corpo não seguia mais as ordens do meu cérebro. Fui até o banheiro, acendi a luz e, subitamente, olhei para o espelho. Espantei-me por ver meu próprio rosto, ele estava completamente deformado. Meu nariz estava de um tamanho enorme, minha boca parece que havia derretido. Minhas orelhas ficavam cada vez mais pontudas. Mesmo com o desespero, meus olhos continuavam estatelados, como se não houvesse emoção. Sai correndo do banheiro, corri até a nossa cama, vi você dormindo, estava com algum tipo de tinta na pele, escorria por entre suas pernas, estava pintada toda de branco. Tentei gritar, mas nenhum som saia da minha boca. Além disso, a tentativa de comunicação me causou uma falta de ar, estava anestesiado com tamanho medo. Corri de volta para o banheiro, retornei a olhar a minha imagem e, para o meu espanto, não havia mas resquícios do que um dia eu fora. Meu reflexo mostrava um animal, mas precisamente, vi uma cabeça de cavalo, negro. Sim, eu tinha me tornado um cavalo. Meus olhos estatelados, agora com razão, pois me tranquilizei de uma maneira assustadora. Nem se tivesse fumado maconha teria tal sensação. Fiquei me admirando, eu nunca tinha me sentido tão completo. Um prazer tomava conta do meu corpo. Não consegui dormir naquela noite, a minha nova identidade me prejudicava, de alguma forma sentia que seria difícil me acostumar. Bem, eu sentia a mudança, porém, ninguém percebia. Minha cabeça se tornará mais pesada. Eu passava meus dedos e podia sentir minha nova forma. Enfim, amanheceu e estava na hora de trabalhar. Certamente não consegui. Peguei o ônibus, estava sentado, refletindo, de repente, olho para a janela e o reflexo mostrava exatamente o que eu sentia. Mais do que isso, uma coragem, um sentimento de proteção tomava conta de mim. Como se eu fizesse parte de algo maior, estivesse conectado com uma entidade.

- Onde eu estava esse tempo todo? - Perguntei para ele, interrompendo-o.

- Acredito que você nunca existiu para mim - respondeu ele, de uma forma tão sincera e convicta, que me excitei.

- Dias depois - Ele continuou narrando a história - comecei a sentir outras mudanças, principalmente na minha visão. Eu enxergava tudo em preto e branco. Algumas coisas ou pessoas eram brancas, a outra metade preta. Eu simpatizava pelas pretas. E odiava as brancas, como você, por exemplo. Era um desejo incontrolável, de matar todos os brancos. Me sentia cada vez mais confuso. Não demorou muito para, enfim, atribuir funções para as pessoas que eu conversava durante o dia. Eu planejava suas posições, ações, se elas me contavam algo, eu interferia, sendo agressivo nas minhas colocações. Eu era um dos líderes do universo. Sentia, inclusive, que eu teria que ser sacrificado algum dia. 
Ontem estava caminhando pela praia, quando vi uma mulher, loira, alta, elegante, com um ar de superioridade, meu corpo não mais me obedecia, algo próximo ao que aconteceu no banheiro, me vi, então, reverenciando a moça desconhecida. 

Bem, depois de ouvir a sua maluquice
Me senti sonolenta
Um tanto quanto perdida
Não conseguia entender como um homem desse estava do meu lado
Ele não era humano
Ele não era ele
Ele não podia ser real
Era um monstro sem sentimentos

Ignorei o restante da história 
Fui embora

Uma semana depois volto
Pegar as minhas coisas
Mas crescia em mim uma necessidade de dar adeus
Sou mesmo muito tola - eu pensava enquanto caminhava para casa
Me assustei, de imediato,
quando vi sangue no chão, 
Como se alguém houvesse sido arrastado
Segui o sangue, assim como Alice seguiu o coelho
O encontrei jogado no chão, muito ferido
Meu coração não aguentava mais ficar no peito
Tanto desespero
Assim que olhei no seu rosto
Percebi de imediato que a morte o rodeava
Como se confiasse em mim, mas que tudo
Ele falou:


- Você não acredita em mim?
Eu respondi:
- Sim, eu acredito em você, mais que tudo nessa vida.
Eu pude, então, confirmar, assim que olhei para a sua face
Suas últimas palavras foram:

- Eu sou uma peça de xadrez.

- Homem ferido! Homem ferido! - gritavam todos
- Não é um homem, é um cavalo - pensei.



Conto escrito por: Emerson Teixeira Lima

Cronologia do Acaso


Cansado de tentar
Procurar um lugar para ficar
Converter agonia 
Em um estar
Tranquilo caminhando pela minha inquietação
Movimentando o coração
Na entrega de uma cartinha
Decorada com vermelhos
Morangos silvestres!
Adoráveis e detestáveis
Frutos da imaginação de alguém
Menos popular que você ou eu

Invisível para todos
Diz que é escolha
Mas não passa de imposição
Parado, contra os ventos,
Tensão
Tesão
Mamãe me dê carinho
Não aguento mais esse mundo púbere
Não tenho barba
O que sugere então? 
Já sei namorar,
Mas não sei esperar
Já sei beijar,
Mas não sei conquistar
Já sei trepar,
Mas não sei amar
O que faço mamãe? 
Cresço agora ou deixa para amanhã?

Essa escola,
Me amola
Não estudo,
Sei de tudo.
Não me importo com a guerra,
Eu vivo uma e professor nenhum me explica isso.
Quero ser estudado,
Quero ser sentido,
Quero ser idolatrado,
Não bandido,
Um caso perdido,
Chego na escola, ninguém me trouxe,
Sou mais um presidiário,
Nem nasci, mas já sou ordinário
Uso drogas, cabelo grande
Meus ídolos do rock,
Meus deuses.
Ninguém me entende, só me pune,
Vou agir,
Contra todos,
Vou rir dos diplomados,
CDFs e demais retardados,
O mundo é cruel,
As respostas não estão em livros, 
Pronto,
Cresci.
Deixa eu sentar no fim da sala.

Tô aqui,
Fui ali,
Bateu o sinal,
Foi mal,
Tava conversando com as tia da limpeza,
Não me castigue, fiz uma gentileza,
Esse inferno não é para aprender?
Não posso inverter?
Quer saber?
Tô cansado,
Ser tratado como um marginal,
Não é justo,
Sou explorado em casa,
Ai que susto!
Parece meu pai falando, o grande sr. Augusto
Sua vida acadêmica deu lugar a cachaça 
Essa raça é uma graça
Faz de tudo, compra o mundo
Evapora, sobra pouco
Sombras de uma vida elegante
Que ódio,
Fui queimado com cigarro
Minha casa não é um lar
Sou rebelde,
Uso preto,
Escuto rock,
Crio moda,
Tenho seguidores, 
Deus da subversidade!
Agora passa o controle,
Tá passando a entrevista do Keith Richards,
Quero cheirar meu pai.

Um caso perdido,
Estou aqui,
Não tenho nada melhor para fazer
Sábado é dia de rezar,
Tenho caspas, não quero atrapalhar
Não falo nada
Fico na minha
Observando
A loucura da normalidade
Me sinto em Júpiter
Me sinto Narciso
Me apaixonei por me perder
Em mim
Desenho também,
Faço arte,
O quão difícil é pensar,
Assim procurar,
O espinho do nunca

Nunca transei
Me masturbei
Me procurei na vizinha
Até babei
Por ela, tadinha
Você tem razão,
Eu sou um cagão,
Por não pegar na mão,
Daquela gostosa
Para ela olhar para mim,
Eu doaria até um rim

Em casa me cobram perfeição,
Mas eu tenho tesão,
Não consigo pensar.
Vejo minha prima com suas amigas e me ponho a imaginar
Elas peladas, deitadas na minha cama,
Dizendo que me ama,
Aprendendo a ser falsa, garota de programa
Vendendo seu sexo, montando uma trama
Entregando o seu corpo,
Mostrando o seu bundão,
E, pelo amor, sem saber que eu sou um virjão

Sou esportista,
Bastante elitista,
Sou do tipo que encanta,
Engana e humilha
Preciso ganhar,
E te amarrar,
Na sua vergonha
Não sou mal, 
Só me acho o tal,
Manipulador,
Meio estuprador,
Quase um Brad Pitt.

Me chamo princesa,
Meu apelido é Ana,
Sou a loira que te engana,
Me acha atraente,
Benevolente,
Mas sou tapada,
As vezes chapada,
Me acho esperta, mas só sou usada,
O preço de ser popular,
O sucesso é o meu lugar,
Rosa é minha cor,
Eu não sei o que é dor,
Pois disfarço com maquiagens,
Iludindo as imagens,
Que provoco no espelho,
Eu vou seguindo meu coelho,
Sua toca,
Me acho louca,
Mas sou idiota,
Acho que sou demais, 
Mas só tenho uma xota,
Gosto de bichinhos, 
Pelúcia e periquitinhos,
Finjo ser mulher,
Mas ao comer, brinco com a colher,
Vou para a igreja,
Só para atrair, assim seja,
Finjo ser santa,
Mas sou uma anta,
Uso pessoas, não com inteligência,
Há divergência,
Há dúvidas estúpidas,
Ideias difundidas,
Por várias bandidas,
Que somos induzidas,
Submetidas,
A usar máscaras de lúcidas,
enquanto só somos fudidas
Não sei o que pensar,
Pois não sou de filosofar,
Só sei defecar,
Sou escrota também,
Mas gosto de todos,
Desejo paz, amém.
Minha bunda é minha reputação,
Eu sou uma cadela,
Procurando meu cão.
Mamãe, deveria ter me dado uma chinelada,
Quem sabe hoje eu não seria uma dada?
Não quero julgar,
Só sei divulgar,
Minha beleza,
Riqueza,
Pois sou vazia, 
Não ria,
Tenho habilidades incomuns,
Nada artístico, como uns,
Minhas pernas são flexíveis, 
Como minha habilidade em fazer rimas horríveis.

Tempos de escolas,
Simples simbolismo, 
De fato, mostre-me quem és enquanto estudante,
Que definirei quem serás no futuro,
Errante jovem,
Se acha adulto,
Sendo criança, 
Se acha criança sendo adulto,
Em todos os casos
Há falta de comunicação
As experiências precisam ser compartilhadas
O marginal sempre vai a pé
Nem sempre temos um motivo
Somos um bando de cópias
O mundo real existe bem longe daqui
Só existe sombras
Lembro-me de ter estudado os seus movimentos
Livrai-me da ideia de que vou morrer
Tem me ocorrido a ideia da minha finitude
Com uma frequência devastadora
Por um breve momento
Considere meu gostos e minha necessidade
Tenha fé em mim
Deixe o seu ceticismo 
Focalize-se na minha voz
Eu sou o seu pai
E por muito tempo o meu lar,
era onde minha cabeça descansava
Já fiz tudo de errado,
Já conheci pessoas perdidas,
Já fui jovem,
Fiz tudo que quis,
Para não me arrepender,
Não esperei muito tempo,
Repare onde estou
Hoje sou professor
Educador
Colecionador
Analisador de metamorfoses
Já tive minhas fases,
Minhas depressões,
Hoje sou maduro, movido por ações,
Um pouco de todas as histórias que vivi,
Desde as rimas à masturbação,
Sou o que sou pelo que fui,
Como disse, fui jovem,
E temo que você, minha filha, 
Não o esteja sendo. 

Emerson Teixeira Lima

Bondoso Amigo

Querido amigo,
Não fique tão agitado
Eu tive que sair
Tive que enfrentar o mundo
Nossas brincadeiras ficaram para trás
Nossa diversão está nas lembranças
Que crianças felizes fomos
Infelizmente crescemos

Gostava da nossa naturalidade
Loucuras simples
Tratamentos agressivamente carinhosos
Fomos parte de uma geração 
Pés descalços
Desbravando campos
Éramos amigos

O carinho sempre permaneceu
Minha transição
Criança para adulto
Me trouxe algumas dores
Acredite
Mas nossos momentos
Voltavam
E então tinha certeza que valeu a pena

Se eu for embora agora
Meu caro
Receba meus sinceros sentimentos
De que eu não queria te perder assim
Para o crescimento

Esses dias te vi 
Trabalhando
Tem sua vida,
Deve estar casado,
Tem filhos,
A roupa suja fora trocada por um uniforme
E percebi que realmente estamos prontos
Aquelas aventuras ficaram distantes
Hoje não mais te conheço
Me transformei
Mas quando te olhei tive certeza que continua a mesma boa pessoa
Então tive ainda mais forças para te guardar
No coração
De uma criança que jamais deixará de existir
Obrigado por reviver em mim
A brincadeira de ser feliz
Meu bondoso amigo

Imagens Provocantes

As vezes você tem que passar por cima das suas vontades
Teus gostos e o que planeja não são cruciais
É recorrente perder para vida
Imediatamente após achar que está ganhando
A dor que precisamos passar
Nos consola
Os sorrisos falsos
Enrola

Venha, faça o que tiver que fazer
Me conte os segredos que escondeu de mim
Incomode meus interesses
Nada está cicatrizado
Tente aperfeiçoar mais suas desculpas
Pois eu estou tentando ser menos frágil
Não me procures mais nos bares da cidade
Vou partir para o começo

Essas luzes estão me incomodando
Refletem imagens provocantes
Do seu corpo nú
Essa rua molhada da chuva
Traz uma melancolia
Todo mundo está comemorando
Eu observando
Tudo a distância
Como é pequeno
A nossa ignorância

Olhou o céu hoje?
Está um pouco diferente
Talvez tenha se sensibilizado pelo meu fracasso
O mundo e sua mania de enfeitar a dor
Dor que mente
Que por ela você está assim
Mas não é
Não sabe se dói porque não aconteceu
Ou por saber que nunca realmente quis

É tão difícil lidar
Com a solidão que me aflige
Vinda da minha arrogância
Talvez
Mentes vazias não criam demônios
Dor que mente
É uma mente dormente

Brincando de dados
Pura sorte
De brincar sem errar
Um fazer sem machucar
Com carinho

Tantas vezes falou ser meu amigo
Quantas promessas
Pedidos perdidos
Falou comigo sobre Deus
Na maior das razões
Fingindo preocupações
De um não crer
Crendo
Credo

Eu te registei
Mas deparei
Com a angústia de ser inocente
Perdido
Remanescente
Cognoscente do meu desafio
Domar a incontrolável
Loucura de se apaixonar

Desconhecidos

Esses escritos reunirão o ontem, hoje e amanhã
Escrevo, aqui, nosso fim
Meu fim
É difícil sonhar sozinho, quando se tem esperanças
Uma história criada na minha cabeça
Incompleta
Não me procure mais, nos cantos
Ecos
Ventos drásticos na prisão dos meus olhos
Que por ti choravam de alegria
Talvez eu seja a mais perfeita dúvida
Criando maturidade e, infelizmente, 
Vendo ser usado com um outro alguém
Aquelas fotos que te dei
Queime
Será que se lembrou de mim por um segundo?
Quando aprenderei a me apaixonar pela pessoa certa?

Procurei soluções para permanecer
Enganei o meu coração
Dizendo que estava tudo certo
Enquanto eu mesmo tinha dúvidas
Mas achava que estava tudo bem
E aqueles olhares?
E aqueles beijos?
Foi-se tudo, a caminho do teu futuro 
Tudo bem, viva sua vida
Siga adiante

Gosta de ser usada?
Gosta de não ter carinho?
Enfim, lamentável
Eu não posso fazer nada além de sentir pena
Agora a questão não é eu
É você
Eu tentei te mostrar
Mas você é só uma criança
E eu não quero ser mais ser o seu caçador

Estou desanimado agora
Não mais triste
Não merece mais minhas lágrimas
Vou voltando para minha caixa
Até experimentar outras dores
Talvez seja mais rápido do que você pensa
Você se achou esperta?
Achou que o mundo está aos seus pés?
Desculpe-me, meu bem, 
Mas dentro do menino apaixonado
Mora um homem de preto

Aprendi com perdas inevitáveis
Que chorar pela ignorância é perca de tempo
Todo mundo percebeu
Você não quis
Então essa será a última vez que escrevo sobre você

A minha maturidade me dizia que ia sofrer muito
A minha emoção procurava um motivo para me afastar
Por mais que te ame
Eu não mereço me machucar tanto

Por você, qualquer medo virou palhaço que faz rir
Qualquer lágrima virou sorriso
E toda confusão se tornou ainda mais confusa
Mas tudo valia a pena ser sentido

- "Dê suas armas e entregue-se a mim. Me ame pacificamente. Porque, meu bem, eu sou um soldado do amor e os meus sentimentos são os mais sinceros que você já encontrou" - Soldier of Love

Ei, preste atenção
Com cuidado
Eu era o cara que saiu dos seus sonhos
Para te dizer que o sonho sempre foi você
Esquece

Enfim, estou chegando no final
Últimas linhas de uma ilusão minha
Me desperta uma curiosidade incontrolável
Por saber como foi o seu dia
Não vou perguntar
Não preciso mais te olhar
Vai ser muito fácil te esquecer

Eu mexi em uma ferida
Encontrei uma recusa
Agora estou conformado
Vou seguir adiante
E te desejo o melhor
Com o pior
Da tua relação de conto de fadas
Curta a inexistência de afeto
Pois você não aguenta o real